


Um purificador de água movido a energia solar para ser usado no Haiti, uma nova forma de tratar câncer de mama e um aparato para crianças e adultos com deficiência manual escreverem são invenções não de cientistas, mas de crianças norte-americanas, de 13 a 17 anos.
Os autores dessas novidades vencedoras de concursos nos Estados Unidos vieram ao Rio a convite do Departamento de Estado daquele país para apresentar soluções sustentáveis a problemas cotidianos, na Rio+20. Eles fizeram uma apresentação no Parque dos Atletas, neste domingo, e assistiram a vitória do Flamengo, hexacampeão brasileiro, sobre os reservas do Santos, pelo campeonato nacional.
Seis meninas bandeirantes de 13 e 14 anos de duas cidades pequenas no Estado de Iowa inventaram um instrumento de escrita a partir da necessidade de Michelle, uma menina de 4 anos, que não tem dedos na mão direita. O Bob 1, como foi batizado, é uma base de espuma sólida com espaço para uma canela ou pilot e uma alça de velcro para prender à mão. Serve ainda para quem teve derrame, artitre, múltipla esclerose, entre outras doenças que restringem os movimentos das mãos.
“Logo Michelle estava fazendo desenhos e dando os primeiros passos na escrita”, disse Mackensie Grewell, 13 anos. Uma integrante do grupo, Kate Murray, 14, também tem deficiência na mão esquerda e usa um adaptador para tocar violino, o que também ajudou o grupo a pensar em algo customizado para Michelle.
O aparato simples e barato - o material custa cerca de US$ 10, mas ainda não há previsão de preço de mercado, uma vez patenteado - fez a diferença para Michelle e venceu o concurso da First, organização que atuar “para a inspiração e reconhecimento da Ciência e tecnologia, conforme sua sigla em inglês. Como prêmio, o grupo de meninas foi convidado à Casa Branca, para conhecer o presidente americano, Barack Obama, e ganharam US$ 20 mil para patentear o produto.
Nithin Tumma, filho de 18 anos de imigrantes indianos, não conheceu ainda Obama, mas desenvolveu, desde os 14, uma nova abordagem “menos tóxica” para o tratamento de câncer de mama. A ideia desenvolvida por Nithin é reduzir o efeito colateral de remédios sobre as células não-cancerígenas, isolando as células doentes e tratando-as sem afetar as saudáveis.
No laboratório, Nithin conseguiu identificar uma proteína presente apenas nas células cancerígenas, o que potencialmente permitiria que fossem isoladas para sofrer tratamento específico, que não atingiria as células saudáveis. Após ganhar o prêmio de Ciência e Tecnologia da Intel, o rapaz começa este ano a estudar Ciências da Computação e Biologia Molecular na prestigiosa Universidade Harvard.
Raphael Gomide
Também na área de saúde, Shayanth Sinnarajah e Lucia Herrmann, adolescentes de 18 anos, criaram um filtro de água movido por energia solar para uso comunitário em Cité Soleil, principal favela de Porto Príncipe, capital haitiana. “É adequado para uma família de cinco pessoas e o primeiro filtro vai começar a operar no Haiti em 15 de julho”, disse
O aparato, que inclui um galão de 50 litros de água, fica sobre um carrinho de rodas. Ele tem capacidade de filtrar 54 litros a cada 15 minutos, e o tamanho do carrinho é de 70cm por 1,40m. Funciona sem energia elétrica e sem componentes químicos, e a água passa por uma série de quatro filtros subsequentes, limpando-a progressivamente. Inicialmente, são retirados da água doce a lama e outros componentes mais sólidos, e se vai refinando o líquido até o último filtro, que é capaz de limpar 99,2% das bactérias ainda existentes.
A iniciativa venceu o Conrad Awards, que estimula estudantes do mundo todo a apresentar trabalhos. As inscrições para 2012-2013 estão abertas em www.conradawards.org .

Uma equipe internacional de pesquisadores dos Estados Unidos, Japão e Austrália trouxe novos dados sobre o aquecimento dos oceanos: em estudo publicado na edição desta semana na revista Nature Climate Change, eles defendem que o homem não é o único, mas um dos responsáveis pela elevação das temperaturas dos oceanos.
Ainda que essa pesquisa não seja a primeira a identificar a influência humana no aquecimento oceânico, ela fornece uma análise detalhada de como o aumento da emissão dos gases causadores do efeito estufa, ao longo do século XX, contribuiu para aumentar a temperatura do oceano nos últimos 50 anos.
“Nós olhamos mais de perto os fatores que influenciam esses resultados”, diz Peter Glecker, um cientista do clima do Laboratório Nacional Lawrence Livermore (Estados Unidos) e autor principal do estudo. “O ponto principal é que esse estudo fortalece substancialmente a conclusão de que a maioria do aquecimento oceânico, nos últimos 50 anos, é atribuída às atividades humanas.”
Metodologia — Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores usaram vários modelos matemáticos que simulam as condições do ambiente.
Eles fizeram um experimento padrão, levando em conta apenas as condições naturais que provocam a variação da temperatura — nesse caso não foi considerada a influência humana, como o aumento de gases causadores do efeito estufa na atmosfera.
Os dados coletados destes testes foram comparados com um segundo, que levou em consideração a interferência do homem no meio ambiente.
Como resultado, o grupo descobriu que esses dados só foram consistentes com a variação da temperatura oceânica observada nos últimos 50 anos quando levado em conta o aumento da emissão de gases, ou seja, a influência humana.
Os autores estudaram a temperatura média do oceano em uma faixa de 700 metros de profundidade, partindo da superfície. Eles perceberam um aumento de temperatura em 0,025 grau Celsius por década, ou seja, pouco mais que 0,1 grau Celsius em 50 anos.
“Usando um conjunto de vários modelos, nós conseguimos caracterizar melhor a escala da variação da temperatura climática natural por década, que é um aspecto crítico para detecção e atribuição de um sinal de mudança climática. O que nós estamos tentando determinar é se o modelo de aquecimento observado pode ser explicado somente pela variabilidade natural”, diz Peter Glecker.
“Nós fizemos uma série de testes para contabilizar o impacto de vários fatores que ainda são incertos, mas não descobrimos nenhuma evidência de que o aquecimento simultâneo de diversos níveis de profundidade dos oceanos possa ser explicado apenas pela variação natural do clima. O homem tem um papel dominante”, afirma Glecker.

A água mineral é um produto imprescindível na casa das pessoas. Para que possa ser consumida com segurança é necessário que o consumidor observe condições físicas e de armazenamento do garrafão na distribuidora, além da higienização que deve ser feita antes de colocá-lo no bebedouro.
Após a ação de fiscalização de garrafões de 20 litros realizada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), em parceria com Polícia Rodoviária Federal, na rodovia BR 101, município de São Cristóvão, a Vigilância Sanitária recebeu várias denúncias de irregularidades nos produtos.
As denúncias são relativas à água mineral sendo vendida junto com produtos de limpeza, corpos estranhos e odores fortes na água. “Quando notada a irregularidade, o consumidor deve procurar a Ouvidoria da Saúde, através do telefone 0800 - 286 - 3000 ou pelo e-mail ouvidoria@saude.se.gov.br. As denúncias também podem ser feitas diretamente na Vigilância Sanitária através do telefone 3225-3800, disse Silvio Santos, secretário Estadual de Saúde, ao incentivar o contato da população com a SES.
Condições do garrafão
Os garrafões devem conter lacre, selo fiscal e sanitário e rótulo com data de envasamento e estar dentro da validade, observada na parte inferior. Eles devem ser protegidos da luz solar, de produtos químicos ou com odores fortes e devem em estar estocados em local seco, fresco, sem estar diretamente no chão. “A exposição solar é altamente prejudicial à qualidade da água dos galões, podendo ocorrer o desenvolvimento de algas azuis e terem as suas características bacteriológicas, químicas e físico-químicas alteradas”, explicou Rosana Barreto, gerente de alimentos da Vigilância.
Outra orientação da técnica da SES é quanto ao uso dos garrafões. “Os galões são de uso exclusivo para água mineral natural, não podem ser usados para outras finalidades e/ou produtos, tais como acondicionamento de produtos de limpeza, solventes, combustíveis, alimentos, entre outros”, alertou.
Higienização
Após a observação das condições físicas, armazenamento e distribuição dos galões de água, é necessário que a higienização na casa do consumidor seja feita de maneira correta.
“O bebedouro deve ser limpo a cada 15 dias. Orientamos lavar a cuba do bebedouro com água fervente e esponja reservada somente para esse fim. Depois, esgote a água pela torneira e enxágüe com água potável. Encha a cuba do reservatório com água, coloque três colheres de sopa de água sanitária e deixe agir por 15 minutos. Esgote a água pela torneira e enxágüe com água potável deixando a água esgotar mais uma vez pela torneira. Coloque o novo garrafão e deixe escoar pelo menos 3 copos de água mineral pela torneira”, recomendou Rosana Barreto.
Confira os seis passos para a correta limpeza do garrafão
1º Lave bem as mãos com água e sabão antes de manipular o garrafão;
2º Lave o galão com água e detergente neutro;
3º Retire totalmente o lacre;
4º Passe um pano limpo embebido em álcool 70% na parte externa do garrafão.
5º Aguarde até que a solução de álcool 70% evapore.
6º Evite colocar as mãos no gargalo após a limpeza e no momento de colocar o galão no bebedouro.

Buenos Aires, 12 jun (EFE).- O papel das geleiras da cordilheira dos Andes como ‘mecanismo regulador’ do fluxo dos rios da região está sendo estudado por cientistas argentinos, o que permitirá um melhor cálculo e projeção de obras hídricas para garantir o abastecimento de água em épocas de seca.
‘As geleiras possuem um mecanismo regulador, armazenam água na época fria e úmida, e abastecem em anos secos e quentes’ explicou à Agência Efe Sebastián Crespo, cientista do Instituto Argentino de Neve de Mendoza, leste do país.
Crespo iniciou a pesquisa em fevereiro, durante o verão no hemisfério sul, e utilizou como ‘geleira piloto’ o Horcones Superior, localizada no Parque Nacional Aconcágua, na zona central da cordilheira dos Andes.
O trabalho de Crespo, membro do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet), pretende medir a quantidade de água procedente dos riachos que saem do Horcones Superior e deságuam nos rios que chegam à Mendoza, que também nasce nas geleiras.
‘A ideia é medir os fluxos através de um método de solução de sais’, afirmou Crespo. De acordo com o cientista, estes sais depositados no rio podem ser detectados em outras partes da bacia para distinguir que proporção de água do rio pertence à geleira, à neve ou às águas subterrâneas.
Estas medições são realizadas tomando mostras na própria geleira e em diferentes pontos da bacia do rio Mendoza. A operação é feita por Crespo ou outros dois cientistas que colaboram no projeto, e que depois são enviadas ao Paul Scherrer Institute da Suíça, para análise.
‘Normalmente, 98% do fluxo do rio Mendoza é fornecido pela neve, mas em anos de seca as geleiras permitem atenuar o déficit hídrico’, explicou o cientista argentino. Crespo também destacou como principal contribuição do estudo a possibilidade de saber quando as água das geleiras estarão disponíveis.
‘Isso permitirá tornar melhor o uso de diques reguladores, para conter a água que a geleira fornece durante em período de seca’, disse Crespo. Em províncias como a de Mendoza há uma grande atividade vitivinícola.
A pesquisa do Horcones Superior permitirá estimar como ocorre este fenômeno em outras geleiras similares da zona central da cordilheira, onde há um precedente para um estudo similar realizado há quase 15 anos. De acordo com o cientista, algumas geleiras do Parque Aconcágua estão ‘perdendo massa’.
Para Crespo, a causa mais provável é o aumento de temperatura no planeta, que segundo projeções científicas de 2004, poderia ser maior no alto montanha, embora ainda não foi provado.
Neste sentido, a estação meteorológica instalada no Parque Aconcágua pelo grupo de cientistas argentinos da expedição SIGMA, da qual fizeram parte tanto Crespo como Lenzano, permitirá obter informações precisas sobre a evolução da temperatura no alto da montanha.
Em seu estudo, Sebastián Crespo utiliza dados da pesquisa sobre as geleiras para gerar uma ‘cultura do uso de água’ e evitar usos irracionais como a irrigação por inundação no caso da agricultura.
‘Ampliaremos o estudo a mais geleiras, no próximo verão faremos mais medições’, concluiu Crespo. EFE

De acordo com uma notícia, publicada pelo Daily Mail, em 1976, uma sonda espacial soviética foi à Lua, perfurou a sua superfície e encontrou água no satélite, publicando a descoberta no periódico Geokhimiia, que contava com versões em inglês e russo.
Entretanto, o estudo apresentado pelos soviéticos jamais foi mencionado por qualquer outro periódico científico sequer, caindo em total esquecimento durante décadas. O mais curioso é que os norte-americanos também estavam em busca de água na Lua, mas nunca conseguiram provar a existência da substância, apesar de terem trazido 300 quilos de amostras à Terra, coletadas durante suas missões ao satélite.
Atrasos
O fato de que a descoberta russa nunca tenha sido adequadamente divulgada pode ter prejudicado os avanços científicos por décadas. Por certo, até o ano de 2006 os cientistas subestimavam a quantidade de água presente na Lua, acreditando que a sua disponibilidade não passava de uma parte por bilhão. Entretanto, hoje em dia, a quantidade estimada é bem superior, sendo de uma parte por milhão.
O pequeno artefato realizou a viagem em agosto de 1976, realizando uma perfuração na superfície da Lua de quase dois metros de profundidade, regressando à Terra com aproximadamente 230 gramas de amostra, dos quais 0,1% correspondia à água.

Havana (Prensa Latina) Escuta-se a palavra “oceano” e vem à mente a imagem de profundas e misteriosas correntes marinhas, repletas de mitos e sereias, de corsários e lendas, de amores e aventuras.
Rompe tal sonho a realidade, diante da realidade de que os detrimentos de petróleo e substâncias radioativas; e a realização de provas nucleares contaminam essas águas que inspiram a poetas e escritores.
A cada 8 de junho celebra-se no Dia Mundial dos Oceanos, uma iniciativa que surgiu em 1992, a proposta do governo canadense, em ocasião da Cúpula da Terra no Rio de Janeiro, Brasil.
Anos mais tarde, em 1998, a Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO apoiou esta celebração internacional, e desde então alça suas vozes para preservar esse recurso natural que além de servir como fonte de alimentos, contribui a regular o clima, entre outros benefícios.
A poucos dias da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, no Dia Mundial dos Oceanos é também uma oportunidade para se mobilizar pela preservação desse tesouro comum que faz a Terra habitável para o ser humano.
Assim o destaca a diretora geral da UNESCO, Irina Bokova, em uma mensagem, onde reclama que a função dos oceanos seja devidamente tomada em conta na Conferência Rio+20, junto com suas múltiplas repercussões para a justiça social, a conservação do meio ambiente e a eficácia econômica.
Como “pulmões do planeta” os qualificou a titular, pois os oceanos proporcionam a maior parte do oxigênio que respiramos; também são fonte de alimentos e medicinas, e parte fundamental da biosfera.
Recorda a diretora geral do ente internacional uma verdade evidente: o planeta Terra é, sobretudo um planeta azul, e em eloquente contraste propõe que a “economia azul” do oceano é eixo central de nossas vidas.
No entanto, lamenta que os oceanos e seus recursos se deteriorem e esgotam-se devido à pressão, cada vez maior, à que estão submetidos, causada principalmente pela contaminação e a sobre-exploração.
A mensagem traz um grande desafio; a cada dia a humanidade deve proteger a integridade dos ecossistemas marinhos, para que ao escutar a palavra “oceano”, não se perca aquela abstração das profundas e misteriosas correntes marinhas, repletas de mitos e sereias, de corsários e lendas, de amores e aventuras.

Uma missão da Nasa descobriu uma enorme quantidade de fitoplâncton, algas vitais para a cadeia alimentar dos oceanos, no lugar menos esperado: debaixo do gelo do Ártico, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira (7) pela revista “Science”.
“Ficamos atônitos. Foi completamente inesperado. Foi, literalmente, o florescimento de fitoplâncton mais intenso que vi nos 25 anos que faço este tipo de pesquisa”, afirmou o cientista da Universidade de Stanford, na Califórnia.Uma equipe da Nasa foi enviada ao mar de Chukchi, litoral do Alasca, noroeste do continente americano, onde encontrou uma biomassa de fitoplâncton que se estende por 100 km na plataforma de gelo, informou o chefe da missão, Kevin Arrigo.
“Como os tomates numa horta, todo fitoplâncton requer luz e nutrientes para crescer”, explicou Arrigo. “Supunha-se que havia muito pouca luz debaixo do gelo e não esperávamos ver muitas destas algas”.
Imagem feita em abril de 2010 mostra fissura em calota polar e superfície do oceano exposta na região do Ártico. (Foto: Nasa/JPL)Para a missão, chamada “Impacto da Mudança Climática nos Ecossistemas e a Química do Meio Ambiente Ártico do Pacífico” (Icescape, na sigla em inglês), os cientistas realizaram expedições entre junho e julho de 2010 e 2011.
Arrigo disse que a descoberta provocou uma mudança fundamental na compreensão do ecossistema do Ártico, que era considerado frio e desolado.
Esta pode ser a maior concentração de fitoplâncton do mundo, afirmou Arrigo, que se surpreendeu que tenha crescido sob uma camada de gelo marinho tão grossa quanto a altura de uma criança de cinco anos.
Esta descoberta sugere que o oceano Ártico é mais produtivo do que se acreditava, apesar de serem necessários mais estudos para determinar como este fitoplâncton sob o gelo influi nos ecossistemas locais.
Um estudo recente realizado pela Universidade Federal de Alagoas nos anos de 2009 a 2010, identificou que em três bairros maceioenses a água está contaminada por necrochorume, líquido produzido pela decomposição de corpos.
Os bairros do Trapiche, Jaraguá e Prado, possuem três grandes cemitérios que seriam os responsáveis pela contaminação dos lençóis freáticos que atinge a população desses locais.
O estudo realizado pela professora Florilda Vieira dos Santos, mestre em Recursos Hídricos e Saneamento, coletou amostras em 22 pontos dos cemitérios Nossa Senhora Mãe do Povo, São José e Nossa Senhora da Piedade. A avaliação das águas do subterrâneo revelou que as covas simples, que deixam o caixão em contato direto com o solo, contamina a água por meio da decomposição dos cadáveres, o que mostra ser uma método arcaico de enterro.
De acordo com a pesquisadora, o consumo dessa água contaminada pode provocar diarréia e dores abdominais. As águas coletadas dos três cemitérios estão fora dos padrões de água potável segundo normas do Ministério da Saúde.
A pesquisa aponta ainda que 68% do sistema de abastecimento da capital alagoana é feito por fontes subterrâneas. O necrochorume encontrado na água, é formado por 60% de água, 30% de sais minerais e 10% de substâncias orgânicas tóxicas como a putresina e a cadaverina
Submarino ‘Jiaolong’ já conseguiu descer até aos cinco mil metros, mas China quer agora bater o recorde mundial, fixado nos seis mil. Ilhas Marianas, a Este das Filipinas, é o local escolhido, onde para alcançar o fundo do oceano é preciso percorrer 11 quilómetros.
A China quer ser o primeiro país a conseguir descer até sete mil metros de profundidade no oceano. Para tal, os responsáveis asiáticos vão utilizar o submersível ‘Jiaolong’, que levará a bordo três investigadores. À superfície, o navio Xiangyanghong 09, com cerca de 100 profissionais, vai prestar todo o suporte e recolher todas as informações recolhidas pelo submersível.
Até agora, pelo país inteiro, Rússia, Estados Unidos, Japão e França já conseguiram descer até aos seis mil metros, um registo que a China quer agora bater em cerca de um quilómetro.
As Ilhas Marianas, situadas no Oceano Pacífico, a Este das Filipinas, são o local escolhido pelos cientistas chineses, uma região onde o fundo do mar fica a cerca de 11 mil metros de profundidade.
A viagem até onde nunca ninguém foi tem início marcado para o início do mês de julho.
“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Esse ditado popular pode ser aplicado ao pé da letra quando se reflete sobre a realidade das praias de Alagoas. O fenômeno de retrogradação litorânea - diminuição do litoral - está fazendo muitas propriedades da costa se transformarem em “pedras furadas” devido às erosões causadas com o avanço do mar.
O problema não é novo, o Estudo de Progradação do Meio Ambiente do Litoral Alagoano é fundamentado por autores que desenvolveram estudos de 20 anos atrás, que foram atualizados pela Tribuna Independente. No estudo, houve o mapeamento dos municípios e praias da costa alagoana que estão em situação de vulnerabilidade. Dentre eles, destacam-se pelo menos 14: Maceió, nas praias de Ponta Verde, Jatiúca e Pajuçara e na Praia da Sereia e em Sauaçhuy; Maragogi; Japaratinga, na Praia do Bitingui; São Miguel dos Milagres; Porto de Pedras; Barra de Santo Antônio, na Ilha da Crôa; Paripueira; Barra de São Miguel; e Coruripe, no Pontal do Peba e Poxim.
O Estudo justifica a atuação do mar nesses municípios devido à ação do homem sobre o meio ambiente, principalmente em Maceió, que é área urbana e vem recebendo intervenções profundas no ecossistema.
Em entrevista concedida à Tribuna Independente, o biólogo e mestre em Oceanografia, Gabriel Louis Le Campion, explicou que o acúmulo de sedimentos dos rios depositados nas praias dão proteção às erosões marinhas, alargando a extensão da praia.
Segundo ele, a intervenção humana nos rios, com a destruição de mangues, contribuiu para a redução desse tipo de atuação fluvial.
Ele recorda de um pequeno riacho nas imediações da Avenida Sandoval Arrochelas que corria em direção à praia e atualmente não existe. “Um riacho, por menor que seja, vai transportando areia. Então ele ia promovendo um aporte de sedimentos para a praia”.
Com força
O oceanógrafo Gagriel Le Campion vê a possibilidade de um avanço do mar devastador na costa de Maceió, isso porque as praias da Ponta Verde, Jatiúca e Pajuçara não detém a faixa de 200 metros necessária para o trabalho marinho.
“A faixa até 200 metros chama-se área de domínio marinho. É a faixa elástica que o mar vai trabalhar, é o espaço que o mar precisa”.
De acordo com Le Campion, a areia da praia tem várias funções para o oceano e a principal é a dissipação de energia, que é o mesmo que diminuir sua força. Ele também se diz preocupado com a construção de condomínios de luxo na costa alagoana. Para ele, a ornamentação seria mais levada em consideração que os fatores ambientais a serem respeitados.
“O pessoal da engenharia normalmente olha da costa para o oceano. Nós da oceanografia olhamos do oceano para a costa”, acrescentou.
Os grãos de areia, importantes para a dissipação das ondas, terminam sendo aterrados por grandes propriedades ou projetos à beira-mar. “Cada grão de areia é importante. Se um grão vai para outro lugar, tem que vir outro para substituir”, concluiu.
Solução contra erosão
O Projeto Orla propõe ações integradas do governo federal, estadual e municipal sobre melhorias nas orlas da costa nacional contra erosões provocadas pelo homem ou de origem natural.
O engenheiro agrônomo, com especialidade em gestão ambiental e recursos hídricos, João Lessa de Azevedo, está na coordenação do programa em Alagoas e chama atenção para a necessidade de implantação de estações maregráficas em Maceió.
Para João, não dá para saber como vai ficar a situação das orlas da Pajuçara e da Jatiúca, as duas que mais sofrem com o avanço do mar. As contenções que foram colocadas como dissipadores de energia nessas localidades são de caráter paliativo.
Numa situação mais radical de avanço do mar, João defende o procedimento chamado de engordamento de praia. A técnica permite a retirada de areia da praia encontradas em jazidas localizadas no oceano.
Com isso, a dragagem é realizada e a areia retirada passa a ser depositada na praia. Segundo ele, o município de Maceió tem as jazidas que favorecem o procedimento, porém não dispõe de recursos e tecnologia suficientes para a remoção. “Ainda não temos aqui a dinâmica de estudos necessária para saber como vai estar a situação da orla de Maceió daqui a cinco anos”, explicou.
Contenção
Sacos de areia empilhados para que a água não tome conta do asfalto. A técnica além de não ajudar, pode ser um agravante para a regressão marinha quando o cenário da erosão são residências e condomínio à beira-mar.
De acordo com o superintendente de Patrimônio da União e coordenador do Projeto Orla, José Roberto Pereira, o mais adequado é que o responsável pela propriedade contrate um engenheiro para fazer o diagnóstico do terreno. “Em muitos casos, os dissipadores de energia devem ser feitos em formato de escada, como existe em Paripueira e na Barra Nova”, disse.
Invasão
O Superintendente do Patrimônio da União e coordenador principal do Projeto Orla em Alagoas, José Roberto Pereira, destaca que, no Estado, existem 11 mil processos de pessoas que precisam pagar a taxa de marinha. 30% deles são inadimplentes.
A “taxa de marinha” é paga cada vez que uma propriedade é construída em territórios próximos ao mar, como condomínios e estabelecimentos comerciais.
Por ano, um proprietário deve pagar de 2% a 5% do seu terreno pela ocupação. As pessoas que ganham até cinco salários mínimos podem pedir a isenção do imposto, pois se trata de comunidades ribeirinhas.
José Roberto explicou que o número de processos é alto porque as prefeituras continuam emitindo alvará em locais de erosão costeira.
“Tem pessoas que chegam ate nós pedindo a insenção da taxa reclamando que sofreram ações da maré. Mas eu pergunto o porquê de quererem construir numa localidade que já estava ameaçada”, observa o superintendente.
Segundo ele, a situação mais degradante dos imóveis acontece no município da Barra de São Miguel, Praia do Francês, em Marechal Deodoro e no município de Maragogi.
Prejuízos
O cenário “beira-mar”, que muitos já idealizam a imagem colossal de beleza e luxo, se tornou um antro de destruições protagonizadas pelo mar. Essa é a realidade da praia de Sauaçhuy, em Maceió.
A equipe de reportagem da Tribuna deparou com um canteiro de obras numa das mansões que ficam no final do condomínio. Lá estava Enrico Ferreira, o administrador da casa.
Segundo ele, o terreno quase inundado foi comprado por um italiano. O custo foi de R$ 20 mil e os gastos com as contenções para deter a alta da maré em noite de lua cheia já chegaram aos R$ 40 mil.
“Essa pessoa que está realizando essas obras realmente tem o dinheiro para investir nesse terreno e também o local é de profundo valor sentimental para ele”, explicou Enrico.
Apesar dos gastos, e da grande quantidade de concreto que será colocada com objetivo de impedir o avanço do mar, o administrador disse que não há a garantia de que as contenções de concreto possam resolver o problema. “Isso é um investimento que tem que ser feito anualmente. Do contrário, ele irá perder o terreno. Para você ter noção, nós já tivemos um prejuízo de R$ 10 mil tentando colocar as pedras no período da ressaca”, disse.
Moradora há 30 anos do condomínio, Nazaré Almeida disse ter sido surpreendida com a dimensão do avanço do mar nos últimos 10 anos. Ela revela que várias propriedades tomadas pela água não têm mais valor. “Os estrangeiros que eram donos dessas casas tiveram que abandonar”, explica.
“Eu lembro, quando era mais nova, que a gente tinha que andar muito para se banhar. Hoje nem precisa mais”, emenda.
Quando indagada sobre sua expectativa sobre o avanço do mar para os próximos cinco anos, ela foi categórica: “A palavra de Deus tem que se cumprir. Deus vai fazer uma transformação”.
Gerentes se assustam
A barraca administrada por Sheila Vasconcellos, que é localizada na orla da Ponta Verde, existe há 14 anos. Esse foi o período suficiente para indentificar que o estabelecimento estava ficando cada vez mais próximo do mar.
Por isso, a administração decidiu, por conta própria, murar o estabelecimento para realizar a prevenção das investidas das altas marés. Os gastos foram feitos por conta própria, numa situação de apelo. Porém, o que seria uma mera proteção causou uma interpretação diferente pelo Ministério Público Estadual.
Parte do muro teve que ser extraído sob a alegação que impedia o acesso de banhistas. “Nos havíamos colocado esse muro para preservar a estrutura, mas a SPU [Superintendência de Patrimônio da União] e o Ministério Público Estadual entenderam que estávamos impedindo o acesso de banhistas. Então tivemos que quebrar uma parte. Somente depois, nós conseguimos manter ainda parte do muro para não comprometermos a estrutura do estabelecimento”, contou Sheila.
Após chegar a um entendimento junto ao MPE, a gerente não nega que a Prefeitura Municipal de Maceió foi responsável pela aposição de contenções com pedras de concreto, atendendo à demanda emergencial.
Porém, Sheila teme que o avanço do mar seja mais rápido que a prefeitura da próxima vez. “O mar não chega a invadir o restaurante. Mas chega a molhar levemente os clientes que estão aqui. Eu acredito que futuramente, se não for sanado o problema, a estrutura pode ceder novamente. Por enquanto, os clientes ainda admiram o local, mas temos que nos prevenir”.